''DO NOT ABANDON YOUR BEST FRIEND''

O CÃO É O ÚNICO QUE NÃO SE IMPORTA SE VOCÊ É RICO OU POBRE, BONITO OU FEIO. O CÃO É O ÚNICO QUE REALMENTE SENTE A TUA AUSÊNCIA E SE ALEGRA DE VERDADE COM O TEU RETORNO, PORTANTO, JAMAIS ABANDONE SEU MELHOR AMIGO.



UM RAIO DE LUZ

''UMA ANTIGA LENDA DIZ QUE QUANDO UM SER HUMANO ACOLHE E PROTEGE UM CÃO ATÉ O DIA DE SUA MORTE, UM RAIO DE LUZ, QUE NÃO PODEMOS ENXERGAR DESTE PLANO DA EXISTÊNCIA, ILUMINA O CAMINHO DESTE SER PARA SEMPRE!''




sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

UM PERFIL / O BISPO E ATIVISTA AMBIENTAL ERWIN KRÄUTLER

Desde quando era menino de escola, Erwin Kräutler já sonhava com o Xingu, um grande afluente do Amazonas, que conhecia das histórias de seu tio. Também ele servira ali como missionário. Hoje o Amazonas tornou-se uma metáfora de sua vida: “horas a fio ele flui tranquilamente, até que uma terrível tempestade, como um raio súbito, faz surgirem ondas gigantescas. Da mesma forma as marés, que são sentidas rio acima nos inúmeros afluentes…” – assim o bispo de Altamira caracteriza sua vida. Erwin Kräutler foi para o Brasil em 1964 logo após sua ordenação como missionário da Congregação do Preciosíssimo Sangue. Não para “praticar o colonialismo religioso, mas para me tornar um deles”. Em janeiro de 1981 foi consagrado bispo da Diocese do Xingu, que com mais de 350 mil km² é a maior do Brasil. Ali vivem mais de 400 mil pessoas, das quais 3.500 pertencentes a culturas indígenas. Inspirado pela Teologia da Libertação – por um Deus que protege, liberta e salva – Kräutler já luta há 45 anos com empenho máximo contra a pobreza e a falta de assistência médica, pela construção e o equipamento de escolas e hospitais e por uma transformação de baixo para cima.
Durante seu tempo como presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) ele tornou-se o principal defensor dos direitos indígenas. Em 1988 Kräutler conquistou o reconhecimento e a inclusão dos direitos indígenas na Constituição brasileira. Desde 2006 o bispo de Altamira preside novamente o CIMI e continua se engajando para impor esses direitos. Nada menos que 30 anos foram necessários, por exemplo, para o reconhecimento das terras indígenas na Raposa Serra do Sol, em Roraima, estado no Norte do país, onde os donos de plantações estão hoje tendo que deixar o território.
Com sua atuação inabalável o religioso não fez apenas amigos. Diversas vezes Kräutler foi ameaçado de morte por causa de seu engajamento. Em 1987 ele sobreviveu por pouco a um atentado e em 2005 sua maior companheira de trabalho, a irmã Dorothy Stang, foi assassinada. Há quatro anos o bispo se encontra sob constante proteção policial quando circula em público. Mas Kräutler não se deixa intimidar: “Não dá para acendermos uma vela para Deus e o diabo ao mesmo tempo, portanto tenho que tomar uma posição”. Nos últimos tempos as ondas do Amazonas voltaram a se encrespar: o motivo é o altamente questionável projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte no Baixo Xingu. Desde o início, e isso se estende já pela metade de sua vida, o septuagenário lutou contra o megaprojeto do governo brasileiro.
O terceiro maior projeto hidrelétrico do mundo destruiria 1.500 km² da Floresta Amazônica e deixaria um terço da cidade de Altamira sob as águas, criando uma área represada de 500 km² – um chamariz ideal de mosquitos que tornaria muito desagradável a vida no que restar da cidade. Milhares de famílias na cidade e moradores do rio perderiam sua base de subsistência e teriam de ser realocados. Para várias culturas indígenas do Estado de Mato Grosso, a construção da gigantesca represa significaria o fim, pois seriam expulsas do território de seus ancestrais, ficariam sem acesso à água, e todo o ecossistema da área do rio sofreria danos irreversíveis. Junto com os grupos indígenas afetados, especialmente os Kayapó, Kräutler protesta contra a loucura de Belo Monte e a destruição do que chama de nosso mundo compartilhado, que para ele não é uma grandeza anônima, mas parte da vida.
Em 2010 o combativo bispo do Xingu recebeu atenção e apoio internacional angariando o chamado Prêmio Nobel Alternativo. O júri o honrou “por uma vida dedicada aos direitos dos povos indígenas e por seu incansável esforço para salvar a selva amazônica da destruição”. Isso fortalece Kräutler na luta contra o Golias das ultrapoderosas empresas energéticas. Em 6 de dezembro, Dom Erwin Kräutler declarou ao receber o prêmio: “Eu aceito o Right Livelihood Award em nome de quem luta comigo hoje, em nome dos povos indígenas, da Amazônia e dos direitos humanos. Eu o aceito também em nome das dezenas de pessoas que deram suas vidas, cujo sangue foi derramado e que foram brutalmente assassinadas porque se opunham à destruição sistematizada da Amazônia. Sinto-me honrado com o prêmio num momento em que nossa luta em prol dos povos indígenas está tomando novas dimensões e maior importância em face dos projetos de desenvolvimento que ameaçam a Amazônia”.
(Fonte - Revista Humboldt 103) Artigo de Ulrike Prinz Ulrike Prinz (Munique, 1961) é etnóloga. Entre 2001 e 2004, deu aulas sobre temas latino-americanos na Universidade Ludwig Maximilian de Munique. Desde outubro de 2007, é corresponsável pela redação da revista HUMBOLDT.

Tradução do alemão: Gisela Pimentel Copyright: Goethe-Institut e. V., Humboldt Redaktion Maio 2011

Comentário: Infelizmente a luta de Erwin em prol dos indigenas e Belo Monte foi perdida. A destruição da Amazônia já está em andamento. A construção da usina de Belo Monte já comecou garantindo a destruição da fauna e da flora ao seu redor O que se poderia esperar de um governo ignorante e hipócrita? 

 Siegmar

3 comentários:

  1. Infelizmente poucas pessoas como ele lutam em prol da natureza. Veremos o fim da Amazônia e com ela o fim de tudo. Depois, quando Minas está debaixo d'água reclamam. Ficará pior, pois assim querem os gananciosos. Que respondam a Deus quando morrerem.

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  2. Boa Tarde, Siegmar... Infelizmente pessoas como esse Bispo e a saudosa Irmã Dorothy são"caladas"... de uma forma ou de outra... infelizmente por causa de interesses estúpidos em prol do progresso. Sabe, Mano... meu coração sangra cada vez que leio sobre Belo Monte. Só rezo por essa comunidade indígena tão injustiçada, está na hora de Deus dar um BASTA!!! Abraços

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  3. Boa Tarde, Mano... Está na hora do DEUS SUPREMO intervir... Infelizmente pessoas como esse Bispo e a saudosa irmã Dorothy são "caladas" de uma forma ou de outra... e tudo em prol do progresso.Tenho pena desse povo indígena e dos pobres animais que mais uma vez serão mortos por cuasa da estupidez dos humanos. Abraços

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