''DO NOT ABANDON YOUR BEST FRIEND''

O CÃO É O ÚNICO QUE NÃO SE IMPORTA SE VOCÊ É RICO OU POBRE, BONITO OU FEIO. O CÃO É O ÚNICO QUE REALMENTE SENTE A TUA AUSÊNCIA E SE ALEGRA DE VERDADE COM O TEU RETORNO, PORTANTO, JAMAIS ABANDONE SEU MELHOR AMIGO.



UM RAIO DE LUZ

''UMA ANTIGA LENDA DIZ QUE QUANDO UM SER HUMANO ACOLHE E PROTEGE UM CÃO ATÉ O DIA DE SUA MORTE, UM RAIO DE LUZ, QUE NÃO PODEMOS ENXERGAR DESTE PLANO DA EXISTÊNCIA, ILUMINA O CAMINHO DESTE SER PARA SEMPRE!''




quinta-feira, 6 de outubro de 2011

UMA TARDE NA VIDA DE POLACA E MARRON

Andando pelo centro de Curitiba, mais precisamente na praça Tiradentes, é comum encontrar um casal de amigos dormindo ou passeando livres e sem destino certo. A grande maioria das pessoas nem repara, alguns dizem que nunca viram, mesmo quase tropeçando por cima.
Para muitos, não passam de cães de rua, ou cães abandonados. mas eles são bem mais do que isso.
Já contei neste blog que eles são os verdadeiros donos da nossa praça. Sim, eles são os donos da praça.

Me contou um taxista, que a cada dia pela manhã, eles recebem taxista por taxista que vem chegando ao ponto. Parece um ritual, eles se aproximam e dão um bom dia para cada um. Afinal, são estes taxistas seus verdaderios amigos e o que poderiam chamar de donos.
Dormem sob o ponto de taxi, onde os amigos lhe providenciam água, comida e sempre um cobertor, quando o frio aumenta. Estão lá há anos, apareceram simplesmente, foram abandonados e adotaram a praça como seu novo lar. Durante o dia, é comum vê-los perambular pela cidade, mas nunca muito distante do seu quintal.

Hoje tive a sorte de acompanhar por alguns momentos um destes passeios. Marron fez uma pose para a camara quando o chamei. E depois de receber um afago, continuou adiante acompanhando sua companheira Polaca.
Eu estava realmente curioso para saber onde iriam. Despreocupados seguiam entre as pessoas na maior tranquilidade. Como se não só a praça, mas o mundo inteiro lhes pertencesse.
E pertence mesmo!

Polaca é mais tranquila, mais curiosa. Também fez uma ligeira pose e recebeu um carinho deste velho amigo, cujo cheiro lhe deve deixar curiosa. Afinal, eu cheiro a 19 cães e dois gatos. Eles sabem disso, podem apostar que sabem.
Interessante que Polaca mostra bem seu lado "feminino", parece parar a cada vitrine.
Anda devagar, algumas vezes olha para os transeuntes que estão comendo algo. Sabem como é, pode cair um pedaço, ou quem sabe alguém de bom coração joga uma migalha de alguma coisa. Não que ela esteja com fome, os dois vivem bem alimentados.

Marron algumas vezes precisa parar e esperar pela velha companheira. Algumas vezes ele dá a impressão que fica impaciente com a demora da moça, mas ele sempre espera.
Hoje subiram pela rua ao lado da catedral. Pensei que iriam ficar por lá, mas me enganei, eles tinham uma visita marcada, assim fiquei sabendo pouco depois.
Ao chegar na galeria Julio Moreira, Marron bem que queria passar por baixo, mas, acabou seguindo Polaca, que teimosa resolveu atravessar a rua mesmo. Levou bronca de uma guarda de transito, merecido, pois é uma rua muito perigosa.

Os dois foram é tomar uma aguinha fresca no bebedouro do Largo da Ordem. Na maior tranquilidade, água correndo, fresca e gelada. Engraçado que é o mesmo local da casa de Bóris, sobre o qual escrevi ontem. Juntei os fatos, pensei, não podia ser possível, mas era sim.
Após tomarem sua água, os dois foram se deitar sob a marquise, exatamente ao lado da velha livraria de Bóris.
Lugar conhecido e comum para encontar os dois, como fiquei sabendo depois.

E foi por lá que me separei dos dois amigos. Talvez, os dois cães abandonados mais livres e felizes do mundo, talvez, mas acredito que seriam ainda mais felizes se tivessem um verdadeiro lar, onde brincassem com eles, fossem passear com eles e onde pudessem estar sempre juntos.
A verdade é que jamais poderão ser separados, creio que um não iria sobreviver muito tempo com a ausencia do outro. Amigos e companheiros até o fim, dividindo seus medos, suas alegrias, seus passeios e ansiedades.
É, Polaca e Marron são mais companheiros do que muita gente que conheço, mais amigos do que muitos gostariam de ser.
(Siegmar)

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