''DO NOT ABANDON YOUR BEST FRIEND''

O CÃO É O ÚNICO QUE NÃO SE IMPORTA SE VOCÊ É RICO OU POBRE, BONITO OU FEIO. O CÃO É O ÚNICO QUE REALMENTE SENTE A TUA AUSÊNCIA E SE ALEGRA DE VERDADE COM O TEU RETORNO, PORTANTO, JAMAIS ABANDONE SEU MELHOR AMIGO.



UM RAIO DE LUZ

''UMA ANTIGA LENDA DIZ QUE QUANDO UM SER HUMANO ACOLHE E PROTEGE UM CÃO ATÉ O DIA DE SUA MORTE, UM RAIO DE LUZ, QUE NÃO PODEMOS ENXERGAR DESTE PLANO DA EXISTÊNCIA, ILUMINA O CAMINHO DESTE SER PARA SEMPRE!''




quinta-feira, 7 de julho de 2011

PARA A CRIANÇA QUE EXISTE DENTRO DE NÓS

Wilhelm Grimm, um dos irmãos Grimm, que nos fizeram sonhar com seus contos de fadas, escreveu este conto numa carta para uma criança. Uma pequena menina chamada Mili.
Ele ficou desconhecido por muitos anos, até finalmente ser publicado. Poucos devem conhecer este belo conto, pois creio não ter sido até hoje traduzido para o portugues. Maurice Sendak fez belas ilustrações para o pequeno conto e dedicou o livro para sua irmã Natalie.
Eu fiz a tradução para o portugues e quero dedicar esta postagem, para toda a criança que existe dentro de cada um de nós. A criança que nunca deveríamos deixar morrer, ao menos, não antes do completo desabrochar do botão de rosa.
Eis a carta...

QUERIDA MILI,

com certeza você ja deve ter vagueado por um campo, ou prado verde, recortado por um pequeno riacho. E deve ter jogado uma flor no riacho, uma flor azul, talvez vermelha, e ficou observando ela se afastar e ser levada pela correnteza, até onde teus olhos permitiram.
Veja, silenciosamente ela prosseguiu seu caminho, sendo levada pelas pequenas ondas, sempre mais distante, o dia inteiro, e também durante a noite, onde a lua, ou pequenas estrelas a iluminavam.
Ela não precisava de muita luz, sabia o seu caminho, não tinha como evitar.
Depois de tres dias, sem descanso e seguindo seu caminho, veio ao seu encontro outra flor. Vinda de outro riacho, no qual, outra criança como você, a atirou no exato momento em que você jogou a sua em seu riacho.
E as duas flores se beijaram e seguiram juntas seu caminho, e ficaram juntas, até ambas afundarem para sempre.

Talvez você também já tenha visto um pequeno pássaro sobrevoar a montanha ao entardecer. Talvez você tenha imaginado que ele estava indo dormir; mas não, um outro pássaro surgiu de outra montanha ao seu encontro.
E quando tudo estava escuro na terra, os dois se encontraram no ultimo raio de sol, e a lua brilhou sobre suas reluzentes penas, e eles voaram brincando e conversando muito, sobre coisas que não podemos escutar aqui embaixo.
Viu, assim os riachos, as flores e os pássaros se juntam. mas as pessoas não se juntam desta maneira.
Grandes montanhas e rios, florestas e campos, muitas cidades e vilas estão entre elas.
Ficam paradas,voar e nadar,como os pássaros e as flores, as pessoas não conseguem.
Mas o coração das pessoas não se preocupa com os obstáculos entre eles.
Assim, meu coração chega agora até você, e mesmo que meus olhos nunca tenham te visto, mesmo assim, meu coração já te ama e acredita estar ao teu lado, sentado ao teu lado e você diz:
"Agora me conta alguma coisa,"
"Sim, querida Mili," ele responde,
"apenas escute."

Era uma vez uma pobre viúva que morava bem no final de um pequeno vilarejo. Ela possuia apenas uma humilde casinha e um pequeno jardim.
Tinha apenas uma filha, a qual amava muito, seus outros filhos haviam falecido.
A pequena menina era uma criança muito religiosa e educada. Seguia as recomendações e rezava de noite, ao ir dormir, e de manhã, ao acordar.
E tudo o que fazia, dava certo, quando plantava algo no pequeno jardim, como violetas ou um pé de alecrim, tudo crescia visivelmente.
E quando corria perigo, sempre era salva, tanto que a mãe pensava:
“Com certeza minha filha tem um anjinho da guarda, que a acompanha em todos os lugares, mesmo que eu não possa vê-lo.”

Mas quis Deus, que esta vida feliz que as duas tinham, não demorasse mais tempo. Pois aconteceu que uma grande guerra tomou conta de todo o
reino.
Num dia muito bonito, a mãe estava sentada no jardim com a menina, quando observou fumaça se erguendo à distância e logo em seguida, podia se ouvir
o barulho dos tiros de canhão ecoando pelos céus. E de todos os lados se ouvia barulho e gritos pelo ar.
“Grande Deus”, diz a mãe, “ que tempos difícieis estão chegando, querida filha, como eu poderei te proteger destas tropas selvagens!”

E em meio ao grande medo, ela teve a idéia de enviar a menina para a floresta, pois lá nenhum inimigo a poderia ameaçar.
“Venha”, disse a mãe para a filha, enquanto colocava na bolsa um pedaço de bolo, que havia sobrado do domingo.
“Venha, vou te levar para a floresta,
siga sempre em frente, até você estar segura.
Lá, espere tres dias e então volte para casa, o bom Deus te mostrará o caminho.”
Ela a levou até a entrada da floresta, a beijou e se despediu.

Voce pode imaginar como ela se sentiu, quando ficou completamente sózinha.
Começou a entrar sempre mais e mais na floresta. O vento balançava as copas dos pinheiros. Algumas vezes os espinhos prendiam seu vestido,
e ela imaginava que eram os dentes dos animais selvagens que o queriam rasgar. Pica paus, gralhas e outras criaturas gritavam e em todos os passos,
pontudas pedras lhe feriam os pézinhos. Ela estava tão angustiada, e quanto mais andava, mais pesado ficava seu pequeno coração.
Repentinamente também o céu começou a escurecer, o azul desapareceu e logo um forte vendaval começou a quebrar os galhos das árvores.
Ah, o medo do seu pequeno coração era enorme, que ela não conseguia continuar e precisou se sentar. Então falou para si mesmo:
"Ah, bom Deus, ajude tua criança a prosseguir!"

E assim que ela isso pensou, sentiu-se mais leve e começou a chorar. Ao mesmo tempo, também começou a chover, e ela então consolada falou:
"Deus e meu coração estão chorando juntos!"
Ficou sentada ali, até a chuva passar, e ao se levantar e olhar para o céu, pequenas nuvens, como flocos de algodão, passavam pelo céu vermelho do entardecer;
e ela então pensou:
"Deus alimenta suas ovelhas com rosas, porque haveria de me esquecer!"
E bem quieta seguiu adiante. E acredito, que foi o seu anjinho da guarda invisível que a guiou pelos penhascos e rochas do caminho, senão, como ela teria conseguido
passar sozinha?
Talvez o anjinho também tenha se transformado numa pombinha branca, que voava sobre a criança e lhe mostrava o caminho.


Ao anoitecer, ela chegou a um pequeno prado. Lá não haviam mais espinhos nem pedras pontudas, mas sim, grama e musgo, que fazia bem aos seus pézinhos.
E as estrelas foram surgindo, e quando a pequena as viu, exclamou:
"Como brilham os pregos na grande porta do céu, que grande alegria será, quando o bom Deus um dia a destrancar."
Neste meio tempo, foi como se uma estrela tivesse caído do céu, e quanto mais a pequena se aproximava, maior ficava a luz, e finalmente ela chegou a uma pequena
casa e viu, que a luz da janela, iluminava para ela.

Ela bateu na porta, e alguém a convidou a entrar. Ao entrar, viu um velho homem, que gentilmente falou:
"Boa noite, querida criança, você está í? Faz tempo que espero por você."
Ele possuia uma longa barba, branca como a neve, que chegava até o chão, e parecia honrado e simpático.
"Sente-se querida criança", disse ele,
"você deve estar cansada, sente-se na cadeirinha perto do fogo e se aqueça."
E assim que ela se aqueceu, ele falou:
"Você deve estar com fome e com sede, vou buscar água fresca para você beber, mas para comer, tenho apenas um par de raizes,
da forma como elas crescem na floresta; estas, você precisa cozinhar para você mesma!"
Então a criança pegou as raízes, as limpou as colocou para cozinhar e pegou um pedaço do bolo que havia trazido, pois seria um bom
acompanhamento para a sopa.
Quando a comida ficou pronta, o velho homem falou:
"Eu estou com fome, me dê um pouquinho disto."
A boa criança lhe deu mais do que tinha, e se satisfez com o que sobrou.

Após a janta o velho falou:
"Agora você deve estar com sono, eu tenho apenas uma cama, deite-se nela."
"Ah não", respondeu a criança,
"para mim palha no chão é o suficiente."
Mas o velhinho a pegou nos braços, a deitou na cama e a cobriu, e após fazer a sua oração, a pequena adormeceu.
Ao abrir os olhos na manhã seguinte, o velhinho estava sentado ao lado da cama, e o sol raiava pela janela.
"Querida criança", disse ele, "levante e vá lá fora no campo para o teu trabalho, você precisa procurar raízes e cheiro verde, para termos mantimentos."

Feliz, a criança saiu e escutou muitos pássaros a cantar, como nunca antes havia escutado, e havia flores, grandes e lindas, como nunca antes
tinha visto em sua vida..
Mas você deve estar querendo saber, quem era o velhinho de barba branca na cabana?
Era São José, aquele que aqui na terra, ja havia cuidado do menino Jesus;
ele cuidou da pequena e crente criança, e já sabia que ela viria até ele.
E porque não queria que ela ficasse entediada, ele a mandou sair para trabalhar.

Repentinamente, enquanto a pequena andava pelos campos e sob as árvores, surgiu uma outra criança, que a pegou pela mão e lhe
mostrou onde encontrar boas raízes, a ajudou a as desenterrar.
Quando colheram o suficiente, brincaram e lhe trouxe flores, era muito querida e solidária.
Ela tinha cachinhos loiros e usava um lindo vestidinho púrpura, ela era muito parecida com a pobre criança, mas era ainda mais linda, tinha olhos grandes e claros;
eu sempre vou acreditar, que ela era o pequeno anjo da guarda, que neste lugar, para ela se materializou.
Das raízes e especiarias a pequena cozinhou outra sopa e colocou mais dois pedaços do bolo, e mais uma vez, São José almoçou com ela.


No terceiro dia não foi diferente. Assim que a pequena saia, a outra criança se juntava a ela.
E elas viviam a felicidade e a brincavam juntas, e não havia tédio. O céu sempre era azul e sem nuvens.
Quando no terceiro dia a pequena criança ofereceu seu ultimo pedaço de bolo e o velhinho mais uma vez comeu com ela, ele disse:
"Querida criança, agora você precisa voltar para a sua mãe, o tempo acabou." -
"Sim", respondeu ela,
" irei voltar para a minha mãe, mas gostaria de voltar em breve e estar novamente com você."
Então São José lhe entregou um botão de rosa e falou:
"Fique tranquila, quando este botão de rosa desabrochar, você novamente estará comigo."

Diante da porta estava a outra criança,que a pegou pela mão e disse:
"Vou te mostrar um caminho mais curto, para que logo você chegue até a tua mãe, mas mesmo assim será penoso e dolorido.
Foram juntas, e o pequeno anjo da guarda a guiava e a ajudava por onde não conseguia seguir adiante.
Mas logo a criança ficou tão cansada, que não podia seguir mais adiante.
"Ah, como seria bom se eu tivesse um refresco, para não morrer de fome e de sede, antes de rever a minha mãe."
Então o pequeno anjo arrancou uma flor branca, que aqui chamamos de copo de leite, e tem mesmo o formato de um copo; e dentro
havia algumas gotas de um delicioso suco, que a deixou fortalecida e saciou a sua sede. E desde então, o copo de leite recebeu um talo amarelo dentro dele como recompensa.

No final da floresta, o anjinho lhe mostrou uma pequena vila e disse:
"Lá você irá reencontrar a tua mãe, ela está sentada diante da porta, pensando em você, vá, agora você não poderá mais me ver."
A criança foi para a vila, que lhe pareceu maravilhosa, mas um pouco estranha.
Havia outras casas entre as conhecidas, ás árvores haviam crescido, e também não havia sinais de destruição dos inimigos.
Tudo estava em paz, os milharais balançavam suavemente com a brisa, os campos estavam verdes e as árvores estavam repletas de frutas.
Mas logo reconheceu a pequena casa de sua mãe, e ao se aproximar, percebeu que num banquinho diante da porta, estava sentada uma velha senhora,
que se aquecia com os ultimos raios de sol que iluminavam sobre a floresta.

Neste momento, a mamãezinha ergueu o rosto, e ao ver a criança, chamou-a com alegre espanto:
"Ah querida criança, então Deus atendeu meu ultimo pedido, e eu mais uma vez posso ver você antes de morrer!"
E a abraçoiu e beijou, apertando-a contra o seu coração.
Então a pequena soube que passou 30 anos na floresta com São José, e foi como se tivesse sido apenas por tres dias.
E toda as dificuldades e medo da longa guerra, por qual sua mãe passou, haviam ficado distantes dela, e ela teve uma vida
tão feliz, que os trinta anos pareciam ter passado num piscar de olhos.
A mãe pensava que ela tivesse sido devorada pelos animais selvagens da floresta, mas no fundo do coração, desejava ardentemente
rever a filha, nem que fosse por alguns momentos, da mesma maneira como a viu pela ultima vez, quando a enviou para a floresta.
E ao ver, lá estava a criança, com o mesmo vestidinho.

Ficaram sentadas juntas em grande alegria e depois foram juntas para a cama dormir.
Na manhã seguinte os vizinhos as encontraram dormindo para sempre.
Adormeceram juntas muito felizes em completa paz, e entre elas , estava a rosa que a menina recebeu
de São José, completamente desabrochada.
(FIM)

(Tradução - Siegmar)

São incontáveis os contos de fada escritos pelos irmãos Grimm. Todos nós crescemos com a fantasia de Branca de Neve, Rapunzel,
A bela adormecida, Chapéuzinho Vermelho e tantas outras histórias, que nos foram contadas antes de dormir. Histórias que enriqueceram a nossa
imaginação. Nos transportavam pelo imaginário mundo mágico de fadas de feiticeiras.
Este conto em particular, escrito para uma criança chamada Mili, difere um pouco da fantasia escrita pelos irmãos Grimm,
mas a sua magia, seu encanto esta presente, e mais uma vez, nos faz chorar e sonhar.
(Siegmar)

2 comentários:

  1. Lindíssimo. A gente viaja realmente na fantasia.

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  2. DGSX

    Que belo trabalho de conscientização!!
    Mas e enquanto aos gatos!! Não gosto de cachorros!!
    Gatos são mais relax rsrsrsrs.

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